O remédio para tratar a doença de Gaucher pode ser retirado do leite da cabra. Mas não porque o líquido tem, naturalmente, os ingredientes necessários para a fabricação do medicamento. A propriedade medicinal é resultado do trabalho de pesquisadores brasileiros que criaram uma versão transgênica do animal, cujo leite fornece uma proteína fundamental para o combate à enfermidade. A pesquisa, desenvolvida na Universidade de Fortaleza (Unifor), está avançada, prestes a entrar na fase de testes pré-clínicos.

Pessoas com Gaucher têm uma falha genética que impede a produção de uma proteína recombinante chamada glicocerebrosidase, responsável pelo processamento de glicocerebrosídios, um tipo de gordura celular. Como resultado, elas acumulam gordura em células de várias partes do corpo, comprometendo principalmente o fígado, o baço e o sistema nervoso. A forma de evitar essa consequência é tomar injeções da proteína ausente, e a pesquisa cearense deve tornar a fabricação dessas doses muito mais barata, garantindo acesso a todos os pacientes.

Tudo começou nos laboratórios da Quatro G, empresa parceira do estudo, onde cientistas sintetizaram a sequência genética responsável pela fabricação da proteína. Esse gene foi, então, entregue à Unifor, que o inseriu em células retiradas da orelha de uma cabra. Quando o pedaço de DNA se incorporou ao genoma do animal, as melhores células foram inseridas em ovócitos (células reprodutoras femininas) cujo material genético materno havia sido removido.

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